O Trânsito na Paraíba Não Pode Ser um Cenário de Guerra: Ensinamentos Urgentemente Necessários para Salvar Vidas

 Por Abimadabe Vieira – Educadora de Trânsito | Defensora da Vida


Quando os números deixam de ser estatísticas e passam a representar vidas

Nesta segunda-feira, 31 de agosto de 2026, estive ao vivo, diretamente das ruas, em uma conversa com o repórter Pedro Hugo, da TV Cabo Branco, em um link com a âncora Denise Delmiro, nos estúdios.



O assunto não poderia ser mais urgente: a violência no trânsito da Paraíba e o que precisamos fazer para mudar essa realidade.

Mais do que apresentar números, minha intenção foi levar uma mensagem de conscientização. Porque por trás de cada atendimento hospitalar existe uma pessoa, uma família e uma história que pode ser completamente transformada em poucos segundos.



📊 Números que precisam nos tirar da zona de conforto

Os dados apresentados, referentes ao período de janeiro a julho de 2026, revelam uma realidade que não podemos normalizar:

  • 492 mortes já foram registradas no trânsito paraibano em apenas sete meses — mais de duas vidas perdidas por dia;
  • 11.893 atendimentos a motociclistas foram registrados nos Hospitais de Trauma de João Pessoa e Campina Grande;
  • 635 atropelamentos foram contabilizados no mesmo período.

São números que precisam provocar muito mais do que preocupação. Precisam provocar atitude.

Não podemos aceitar que nossas ruas se transformem em espaços onde a imprudência, a pressa, a velocidade e a falta de respeito determinem quem volta para casa.

🚦 Trânsito é convivência e responsabilidade

É preciso compreender que o trânsito não pertence exclusivamente aos motoristas.

Ele é um espaço coletivo, onde convivem pedestres, motociclistas, ciclistas, motoristas, passageiros e todos aqueles que utilizam as vias públicas.

Por isso, algumas atitudes simples podem representar uma enorme diferença:

1. O maior deve proteger o menor

Quanto maior e mais pesado o veículo, maior deve ser o cuidado com os usuários mais vulneráveis.

Carros, ônibus e caminhões precisam redobrar a atenção com motociclistas e ciclistas. E todos devem reconhecer que o pedestre é um dos mais vulneráveis no trânsito.

2. Cuidado com os pontos cegos

Muitos sinistros acontecem porque motociclistas e ciclistas permanecem em áreas onde o condutor de um veículo maior não consegue enxergá-los.

Não basta estar certo. É preciso estar visível e agir preventivamente.

Atenção aos retrovisores, distância segura e antecipação das manobras podem salvar vidas.

3. Velocidade não combina com preservação da vida

Respeitar o limite de velocidade não deve ser visto apenas como uma obrigação para evitar multas.

É uma escolha pela vida.

Quanto maior a velocidade, menor o tempo disponível para reagir e maiores podem ser as consequências de uma colisão.

4. A faixa de pedestres precisa ser respeitada

A faixa representa um espaço de proteção.

O condutor deve reduzir a velocidade e estar preparado para a travessia. O pedestre, por sua vez, deve utilizar os locais apropriados e atravessar com atenção.

Respeitar a faixa é respeitar a vida.

5. Educação para o trânsito começa na escola

Essa é uma das bandeiras que defendo com convicção.

A educação para o trânsito precisa chegar às crianças desde os primeiros anos da formação escolar, de maneira contínua, pedagógica e adequada a cada faixa etária.

O Artigo 76 do Código de Trânsito Brasileiro (CTB) estabelece a educação para o trânsito como dever dos órgãos e entidades do Sistema Nacional de Trânsito, em articulação com o sistema educacional.

Educar uma criança hoje é ajudar a formar o pedestre, o ciclista, o passageiro e, futuramente, o condutor consciente de amanhã.

 Precisamos mudar a cultura, não apenas aplicar punições

Fiscalização e punição são importantes, mas não podem ser as únicas ferramentas.

Precisamos trabalhar com educação, engenharia, fiscalização, conscientização e políticas públicas integradas.

Precisamos ensinar que dirigir não é apenas conduzir um veículo.

É assumir responsabilidade pela própria vida e pela vida do outro.

Precisamos ensinar que atravessar uma rua também exige atenção. Que motociclista não é invisível. Que ciclista tem direito ao seu espaço. Que o pedestre merece respeito. Que usar o celular ao volante pode custar uma vida. Que beber e dirigir pode transformar uma comemoração em tragédia.

🇧🇷 O trânsito que queremos começa nas nossas escolhas

A entrevista desta segunda-feira foi mais uma oportunidade de levar essa reflexão para além das salas de aula, das campanhas e dos discursos.

Precisamos transformar informação em comportamento.

Porque nenhuma estatística deveria ser considerada normal quando representa uma vida perdida.

O trânsito da Paraíba não pode ser um cenário de guerra.

Nossas ruas precisam ser espaços de mobilidade, convivência, respeito e, sobretudo, preservação da vida.

E essa transformação começa com cada um de nós.

Antes de acelerar, pense.
Antes de ultrapassar, observe.
Antes de dirigir, cuide de você.
E antes de tudo, lembre-se: alguém está esperando você voltar para casa.

Abimadabe Vieira

Educadora de Trânsito | Defensora da Vida
Educação para o Trânsito é uma escolha pela vida.

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