Trânsito na Paraíba: A cada 22 minutos, uma nova vítima dá entrada no Hospital de Trauma
Os números que movimentam os Hospitais de Trauma da Paraíba não são apenas estatísticas frias; eles são o reflexo diário de vidas interrompidas e rotinas desfeitas. Recentemente, em entrevista concedida aos jornalistas Suely Gonçalves e Francisco Alves no Jornal Estadual da Rádio Tabajara, fiz um apelo que gostaria de estender a toda a sociedade: precisamos humanizar os dados do nosso trânsito para compreender a gravidade do cenário atual.
Entre janeiro e maio de 2026, o estado registrou 9.770 atendimentos por sinistros de trânsito nos dois Hospitais de Trauma. Quando olhamos para o relógio, a realidade impressiona. A cada 22 minutos, uma ambulância cruza as portas de uma unidade de emergência trazendo uma vítima das nossas vias.
O cenário mais alarmante envolve os motociclistas, que representam 85,7% dos casos. É um fluxo contínuo de 55 pilotos ou garupas feridos a cada 24 horas — praticamente uma ala hospitalar inteira lotada por dia. Mas a vulnerabilidade não escolhe veículo. Diariamente, as equipes médicas prestam socorro a uma média de 3 pedestres atropelados e quase 3 ciclistas ou motoristas de automóveis.
Como educadora de trânsito, o meu papel não é apontar culpados. Muitas das vítimas estavam no lugar errado, na hora errada, compartilhando a via de forma correta, mas sofrendo as consequências de fatores que podem ser prevenidos: a distração do olhar, os pontos cegos estruturais dos veículos e as velocidades incompatíveis com a vida urbana.
O dado que mais nos exige reflexão e profundo respeito é o de que o trânsito paraibano tira a vida de mais de duas pessoas por dia. São cidadãos que saíram de casa pela manhã para trabalhar ou estudar e não puderam retornar para suas famílias. E muitas vezes, essas pessoas não cometeram falha alguma, estavam apenas dividindo o espaço público.
Prevenção é sinônimo de cooperação mútua. O veículo maior sempre terá a obrigação legal e moral de proteger o menor. Pequenas atitudes, como mover o corpo para checar o ponto cego da coluna do carro antes de uma curva ou respeitar a distância de 1,5 metro ao ultrapassar uma bicicleta, salvam vidas.
Ao ligarmos nossos veículos ou iniciarmos uma travessia hoje, que a nossa prioridade seja o cuidado com o outro. O trânsito é um espaço coletivo de convivência e a sua segurança depende do respeito que oferecemos uns aos outros. Diante desses dados, a pergunta que fica para todos nós ao fechar a porta de casa é profunda: quem será o próximo se nós não mudarmos a nossa relação nas ruas? Proteja a sua vida e cuide de quem está ao seu redor.
Abimadabe Vieira – Educadora de Trânsito e Observadora Certificada pelo Observatório Nacional de Segurança Viária (ONSV)
Abimadabe Vieira é Educadora de Trânsito e Observadora Certificada pelo Observatório Nacional de Segurança Viária (ONSV). Atua na conscientização e preservação de vidas, transformando estatísticas frias em empatia, respeito e cuidado mútuo nas vias públicas."O trânsito é feito de pessoas. Escolha proteger quem caminha ou pilota ao seu lado."

Comentários
Postar um comentário